Quem não tem cacoete, cria com convição

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Sobrelinhas – por João Vitor da Costa Dagnon

Você se sente de mãos atadas diante dos padrões que se repetem sempre? Já se percebeu seguindo regras que nem entende, numa espécie assim de… cacoete? Pois esse é o título do criativo livro escrito e ilustrado por Eva Furnari. ‘Cacoete’ apresenta uma perspectiva divertida sobre essa mania de repetição. O jeito lúdico de apresentar um assunto tão denso ao público infantil é um dos prováveis motivos que levaram a autora (e o livro) a ganhar o prêmio Jabuti, em 2007.

A história começa com a descrição do perfil diferenciado da cidade: “Cacoete era uma cidade pequena. Tinha 187 habitantes. Todos eram organizados. Mas sua organização tinha um jeito diferente, especial. Um jeito que só existia em Cacoete”. A organização da cidade é única: tudo é disposto em ordem alfabética, numérica e formato. Este último muito bem representado pela ilustração que preenche as páginas do livro, quase que nos transportando para esse mundo tão particular.

No ritmo dessa peculiaridade toda, somos convidados a acompanhar a trajetória de Frido, uma crinaça que se esforça para se encaixar em toda essa organização. Mas sempre que tenta, algo acontece e muda os planos do menino… em uma dessas ocasiões, ele decide quebrar as regras. De que jeito? Só mesmo lendo o livro pra saber! Só posso revelar que essa decisão muda o rumo de tudo: “A cidade de Cacoete já não era mais a mesma. As ruas se alinhavam numa tortuosa ordem desalfabética”.

O livro da Furnari nos faz refletir sobre muitas coisass… principalmente sobre a maneira como nos comportamos diante da sociedade. Desde pequenos somos levados a nos encaixar em padrões que existiam antes mesmo de chegarmos ao mundo. Logo aprendemos que tudo (absolutamente tudo) o que desejamos ou fazemos já está estabelecido. Acontece que quanto mais o tempo passa, mais difícil fica entender (ou mesmo aceitar) nosso lugar no meio de tanta regra.

No fim das contas, viver em sociedade nos deixa sempre uma opção: podemos seguir no cacoete ou dar um jeito de nos libertar do repeteco e criar algo novo com muito mais convicção.

João Vitor da Costa Dagnon é graduando em Letras Português pela Unespar, da cidade de Apucarana.

Foto de Carla Kühlewein

Carla Kühlewein

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