Entrevista do ex-prefeito Primo Lepre e documento da Câmara mostram que a ‘ida’ do Roland para a avenida provavelmente aconteceu no ano de 1968

A busca do Grupo JR para resolver o mistério que envolve a mudança de local da estátua Roland – símbolo maior da cidade de Rolândia, no norte do Paraná, continua. Não há, pelo menos até agora, registro de quando o Roland, que foi instalado em 1957 praça Bento Munhoz da Rocha (hoje praça Castelo Branco), foi desmontado e levado para a BR-369, local em que foi remontado e em que permanece até os dias atuais.
Entrevista dá pista
Em abril, a museóloga Luana Damião, do Museu Municipal de Rolândia, repassou ao JR uma entrevista feita com o ex-prefeito Primo Lepre em 1990. Na entrevista, Primo Lepre fala que mudou a estátua de lugar em seu segundo mandato: ele governou Rolândia de dezembro de 1955 a setembro de 1959 e de dezembro de 1963 a dezembro de 1968. A revitalização da praça Bento Munhoz foi no segundo mandato, assim como a mudança da estátua.
Por que em 1968
Foram cinco anos de mandato e por que provavelmente em 1968? A razão é que uma nova informação chegou até o JR pelas mãos da professora Cláudia Portelinha: uma lei, assinada por Primo Lepre, em dezembro de 1968, autorizava o Executivo a abrir, no corrente exercício, um crédito especial no valor de NCR$ 3.749,25 (três mil, setecentos e quarenta e nove cruzeiros novos e vinte e cinco centavos) para cobrir as despesas referentes ao serviço de desmontagem e montagem da Estátua Roland. Essa lei autoriza, ainda, utilizar como recurso para o crédito o excesso de arrecadação previsível na receita orçamentária vigente (de 1968).
Uma cópia da Lei 383/20/12/1968, que autorizou o crédito da desmontagem e montagem do Roland, foi repassada para Portelinha por Silvana Manganotti, funcionária do Legislativo rolandense. O JR também recebeu uma cópia e a repassou para o Museu Municipal de Rolândia.
O próximo passo da ‘investigação’ é ler todas as atas da Câmara de Rolândia de 1968, que eram escritas à mão, para ver se houve uma discussão e se há alguma citação da data da desmontagem e montagem da estátua. Além disso, jornais antigos da Folha de Londrina (digitalizados) também estão sendo analisados pela equipe do JR.
Primeira pista
A primeira pista de possíveis anos veio com a historiadora Cássia Popolin. Atenta, a fotógrafa e professora viu no ‘Rolândia terra de pioneiros’, livro de Orion Villanueva lançado em 1974, um trecho deu a pista que a mudança de local da estátua, assim como a revitalização da praça Bento Munhoz.
Orion dá uma pista, quando fala do segundo mandato de Primo Lepre (1963-1968), na página 220 de seu livro, que diz: ‘O ajardinamento de todas as praças da cidade e iluminação a gás de mercúrio, refletiram bem sua administração, tendo como ponto alto a nova Praça Bento Munhoz da Rocha, em traçado moderno, ajardinamento impecável, mudança da estátua de Roland para local mais em evidência, e iluminação por dois altos postes que suportavam 2 conjuntos de iluminação a xênon para a completa e eficiente iluminação desse logradouro público, que se tornou cartão de visita da cidade”.
Sabe algo?
O JR deixa essa matéria em aberto à espera da chegada de informações ou relatos que ajudem o jornal a solucionar esse mistério.
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