O Devorador de Estrelas

Por Samuel M. Bertoco

Um professor de ciências do ensino fundamental é jogado no meio do espaço profundo para salvar a Terra – e talvez o universo todo. Devoradores de Estrelas, pega a fórmula de “ciência no desespero” e nos entrega a aventura cósmica mais divertida em muito tempo.


O filme começa no melhor estilo “Onde é que eu tô?”: Grace acorda em uma nave sem lembrança alguma de quem é, cercado por computadores apitando e colegas de tripulação falecidos. À medida que a memória volta — acompanhada de um pânico bastante compreensível —, ele percebe que o destino da humanidade depende da sua habilidade de resolver equações que fariam qualquer pessoa normal chorar em posição fetal.


A direção imprime um ritmo ágil e bem-humorado, transformando aulas de microbiologia e física teórica em sequências contagiantes. O aspecto técnico é impecável, cenas belíssimas, mas que não são de graça, beleza com sentimento, que realmente emocionam.


Mas o grande triunfo do longa é a amizade inesperada que se desenvolve ao longo da jornada: a dinâmica do protagonista com seu inusitado parceiro de missão rouba o filme e garante momentos tão engraçados quanto comoventes. Ryan Gosling segura o filme com um carisma quase irritante. Seu Ryland Grace é o tipo de herói conquista justamente por não agir como um super-homem. Ele entra em pânico, faz piadas, improvisa e, de quebra, explica conceitos científicos sem dar a sensação de que você voltou para a aula de química da oitava série.


O filme nos faz lembrar que a ficção científica não precisa viver apenas de explosões, distopias e discursos sobre o fim do mundo. Ela também pode falar sobre curiosidade, amizade e cooperação — e ainda arrancar boas risadas no processo. É um filme que olha para o cosmos com admiração infantil, sem abrir mão da inteligência.


Devoradores de Estrelas é ficção científica com cérebro e coração. É o tipo de blockbuster que nos lembra por que amamos ir ao cinema: faz rir, roer as unhas, sentir vontade de estudar física por exatamente cinco minutos e sair da sala com um sorriso no rosto.

Prepare a pipoca e boa viagem!

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

Foto de Samuel Bertoco

Samuel Bertoco

Compartilhe:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email

VEJA TAMBÉM:

Cultura

Seus Amigos e Vizinhos segunda temporada

Por Samuel M. Bertoco Seus Amigos e Vizinhos tinha um pequeno problema para resolver em sua segunda temporada: por quanto tempo é possível assistir Jon

Cultura

Atores melhores quando são diretores

Por Samuel M. Bertoco Hollywood está cheia de atores que decidiram dirigir. Alguns descobriram uma nova vocação; outros descobriram por que existia um diretor no