Especialista fala sobre sinais de sofrimento emocional e orienta sobre como acolher e ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade

O Setembro Amarelo chama a atenção para a valorização da vida e a prevenção ao suicídio. Para a psicóloga Josiane Monte, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Saúde Mental, Avaliação Psicológica e Dependência Química, o cuidado com a saúde mental deve acontecer durante todo o ano.
“Cuidar da saúde mental é um compromisso com a vida”, afirma Josiane. Segundo ela, assim como é necessário procurar atendimento médico quando algo não vai bem com o corpo, também é importante observar sentimentos, pensamentos e comportamentos.
“Valorizar a vida começa em atitudes simples: perguntar como alguém está, oferecer companhia, respeitar o tempo do outro, reconhecer os próprios limites e permitir-se pedir ajuda”, explica.
Atenção aos sinais de sofrimento
A psicóloga destaca que nem sempre quem está sofrendo consegue falar sobre o que sente. O sofrimento emocional pode estar escondido “atrás de um sorriso, de uma agenda cheia ou da frase ‘está tudo bem’”.
Entre os sinais que merecem atenção estão mudanças significativas de humor, isolamento social, cansaço constante, alterações no sono ou no apetite, perda de interesse, sentimentos de culpa ou desesperança e falas relacionadas à morte ou ao desejo de desaparecer.
“Esses sinais não significam, isoladamente, que uma pessoa esteja pensando em tirar a própria vida. Porém, indicam que algo pode não estar bem e que uma conversa cuidadosa pode fazer diferença”, ressalta.
Acolhimento e busca por ajuda
Para Josiane, acolher alguém começa com presença e escuta. Ela orienta que as pessoas perguntem como o outro está de verdade e evitem julgamentos ou frases que minimizem a dor.
“O sofrimento de uma pessoa não deixa de ser real porque, aos olhos dos outros, ela tem motivos para estar feliz. Cuidar da saúde mental não é esperar chegar ao limite. É desenvolver, ao longo da vida, espaços de acolhimento, autoconhecimento, prevenção e cuidado”, conclui a psicóloga. A profissional também recomenda incentivar a busca por ajuda especializada.
Em situações de risco imediato, a orientação é não deixar a pessoa sozinha, procurar atendimento de urgência ou acionar o SAMU, pelo telefone 192. O CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia.



