A longa Marcha

Por Samuel M. Bertoco

Brutal. É a palavra que vem a cabeça ao assistir à adaptação do primeiro livro escrito por Stephen King – mas que só viria a ser publicado em 79. Na trama, os EUA passaram por uma guerra que devastou o país, e todo ano, os militares promovem uma competição onde cerca de cem jovens tem que andar. As regras: Caminham a 5km/h, diminuir a velocidade dentro de uma hora gera infrações, com três é eliminado da caminhada, se sair da pista é eliminado também; sem linha de chegada, o último a sobrar vence, fica bilionário e tem um desejo atendido. A questão aí é que o “eliminado da caminhada”, é literalmente eliminado, com um tiro de fuzil na cabeça.


E o filme já começa nos jogando uma amizade instantânea entre dois competidores de cara, e logo essa amizade vira um grupo de 6 ou 7 personagens que vamos acompanhando ao longo do filme. E aí antes de morrer qualquer competidor você já tá meio apegado e pensando: Ou vai rolar algo ou vai dar ruim, porque só um ganha, e só um vive.


A tensão que isso gera piora quando os jovens realmente começam a cansar, se machucar, parar, morrer. É chocante. O diretor faz um ótimo trabalho em mesmo os personagens que nem nome tem, terem alguma coisa específica que nos fazem identificar, seja um radinho de pilha, um caderninho de anotações. A gente começa a sentir por quase todos. Poxa, só vai sobrar um mesmo?


Os protagonistas – e antagonistas – são todos carisma instantâneo, bem desenvolvidos e tem sua personalidade e seus motivos, e se juntam numa improvável amizade que sabem que não vai durar mais que alguns dias e vai terminar do pior jeito possível e tudo vai ficando mais devastador – pra eles e pra gente – conforme o filme vai acontecendo.
Um filme forte, simples e bem feito. Brutal, mas filmaço.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

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Samuel Bertoco

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