Alice com rapadura?

Sobrelinhas por Mariana Batista dos Santos

Uma garota curiosa, um coelho apressado, um Gato Risonho, um Chapeleiro Louco, uma Rainha… Lembrou-se da história? Certamente você já teve algum contato com essas personagens, seja por meio do livro ou por alguma de suas adaptações cinematográficas. ‘Alice no País das Maravilhas’, escrito em 1865, por Lewis Carroll (pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson), tornou-se um clássico da literatura infantil e segue conquistando admiradores.

E se eu te disser que existe uma versão em que o Gato é um talentoso repentista, o chapéu do Chapeleiro é igual ao de Lampião e Alice come rapadura? Isso é um pouquinho do que você encontra na envolvente adaptação de João Gomes de Sá, ‘Alice no País das Maravilhas em cordel’. A história da menina perdida no país das maravilhas é agraciada, neste livro, com o gostinho da tradição popular, destacada logo no início: “O País das Maravilhas/Tem aqui nova versão./O verso metrificado/Da popular tradição/Apresenta como Alice/Vence o tédio e a mesmice/Com muita imaginação.”


As ilustrações de Marcos Garutti auxiliam na construção dessa nova versão que preserva a essência da narrativa original, trazendo imagens conhecidas, como as cartas de baralho, o gato risonho e o coelho apressado.


Nesse lugar onde tudo é possível (não se engane) também há lições para a vida, sinta só essa estrofe: “Quem do relógio depende/ Sua liberdade vende,/Pois assim diz o ditado!”, ou ainda: “A grandeza das pessoas/Não está no seu rebanho,/tampouco na aparência,/na perda ou mesmo no ganho./Mas reside em cada ação/Que brota no coração/E independe de tamanho.”

O livro nos convida, através das aventuras da menina Alice, a vencer o tédio e a mesmice, dar asas à imaginação e (por que não?) repensar certos valores que muitas vezes reproduzimos sem qualquer questionamento.


Nesta versão em cordel, o ritmo cadenciado dos versos nos impele a ler mais e mais… Quem sabe até cantarolar? E, ao final, repetir a leitura, e com ela se (re)encantar uma, duas, várias vezes (e comer rapadura). E aí, vai deixar passar essa experiência?

Mariana Batista dos Santos é graduanda em Letras Português pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar) de Apucarana.

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Carla Kühlewein

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