Burton tragicamente agradável

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Sobrelinhas – por Claudinei de Souza Moreira Junior

Quem nunca se sentiu deslocado, excluído, que atire a primeira pedra. Deve ser por isso que podemos facilmente nos identificar com situações em que alguém é excluído. Por algum motivo, o trabalho cinematográfico de Tim Burton traz figuras que se encaixam exatamente nesse perfil. Dono de um estilo próprio, Burton tem um jeito único e envolvente de contar histórias bizarras. De certa forma, ele busca mostrar a vida por outro ângulo: pela perspectiva dos rejeitados. Seus personagens excêntricos são inseridos em narrativas melancólicas, trágicas e com um humor bem peculiar.


Para quem não conhece a escrita de Burton, sugiro a leitura de ‘O triste fim do pequeno menino Ostra’, um compilado de histórias curtas, escritas e ilustradas por ele mesmo (quem diria?), todas ambientadas no mesmo universo inóspito de seus filmes, dos quais você provavelmente conheça algum. Confira uma delas:

“Luciano
Papai Noel às vezes comete seus enganos:
Dar um ursinho de pelúcia para Luciano
Que foi atacado por um urso negro esse ano!”

O livro traz histórias de crianças diferentes, deformadas, excluídas por outras ou mesmo pelos adultos. O título de cada uma delas já instiga a leitura: “O menino de pregos nos olhos”, “Breno, o menino veneno”. As ilustrações também são bem atrativas e o texto é repleto de rimas estranhamente belas, como “Luciano” e “ano”, no caso deste aí.


O adulto que se propuser a ler ‘O triste fim do pequeno menino Ostra’ perceberá que existe certa profundidade nos textos. Permitem reflexões em relação à realidade, como o final trágico sem final feliz, marca registrada de Burton. Mas isso não foi inventado por ele, já que o trágico, prezado(a) leitor(a), está na vida. O que ele faz, na verdade, é explorar a beleza que há na tragédia (sempre há).


E para você que gosta de um bom plot twist, deixo como indicação a história que dá nome ao livro: ‘O triste fim do pequeno menino Ostra’: engraçada, trágica (como não poderia deixar de ser), melancólica, chocante e profunda. Sem mais spoilers, que tal conferir essa leitura tragicamente agradável?

Claudinei de Souza Moreira Junior é graduando em Letras Português pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar) de Apucarana.

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Carla Kühlewein

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