Cheguei em Morretes

ABC da Agrofloresta – por Daniel Steidle


Exausto, na sombra de uma enorme Mangueira na praça, ao lado da prefeitura de Morretes, estou tentando processar a minha chegada na sexta (6). Tem na praça caixas das abelhas indígenas, a Jataí e a Manduri… e um pé de Juçara carregado de frutos verdes ainda. O trem, de passagem, apita. Na rodoviária já estava me esperando a Valdenise, a gestora ambiental e coordenadora do ‘Evento sobre a Juçara’ que vai acontecer hoje à tarde. Na galeria ‘Estação das Artes’, Valdenise tem a sua loja de 1000 produtos artesanais, junto com mais outras 7 lojas. Ela explica: “Não só turistas vêm comprar aqui, mas também a comunidade de Morretes aparece… e existem os nossos coletivos… algo que está dando certo e há muitas experiências agroflorestais na região… dê uma volta pela cidade… vou depois pegar minha filha na escola e aí vamos almoçar juntos”. Será que vai ter sorvete de Juçara de sobremesa?

Em Curitiba, na quitinete do Erê (filho de Daniel que estuda na capital)
Sonhei à noite toda com a palavra mais falada de ontem: KOHLE (carvão)… foi um pesadelo? Essa palavra KOHLE, que os alemães usam para se referir ao tão necessário dinheiro, tomou no meu sonho, quase uma proporção divina. Mas não é a KOHLE, irmão ou primo do petróleo, que tornou o mundo tão quente? Falei, no meu giro por Morretes, pras ‘locomotivas alemãs’, sobre os índios e o meu reencontro, no evento da Juçara, com os queridos amigos da comunidade alternativa de Morretes.


Iche, daí já me identifiquei como idealista? “Do que você vive lá na sua Bimini?… de algum negócio ‘Bio’? “Respondi: “não… vivemos em parceria com o AGRO e estamos, de forma conjunta com vizinhos e pesquisas tentando estabelecer, numa região quase desértica, SISTEMAS AGROFLORESTAIS. Em Morretes, com tantas florestas em volta, fazer da AGROFLORESTA uma maneira de produzir ‘KOHLE’ está sendo muito viável… ainda mais porque há cooperativas bastante articuladas na região. Mas senti como a KOHLE, assim como na “revolução industrial”, produz muitos excessos também. Onde estaria o equilíbrio? Antes dos alemães estive com comunistas e pessoas ligadas ao MST… ouvindo histórias de vidas para bem além dos rótulos. Diante essa linda capela restaurada pelo dinâmico casal René e Jaque, do Sítio Birgitte, me emocionei… pois há uma essência aí… de algo tão exótico poder se comunicar com a natureza. Falta muito diálogo!… O dia está clareando.


Vou deixar o Erê dormir e torcer para que de tarde possamos passar na Rua Nicarágua 888, dar um abraço no Dr. Paulo Ernani, o nosso querido estudioso das árvores que tanto adora as músicas do Beethoven. “As sinfonias de Beethoven conversam com as árvores”, sempre conta o Dr. Paulo, que na Embrapa-Florestas ficou conhecido como o MAESTRO.

Foto de Daniel Steidle

Daniel Steidle

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