Errou? Tente de novo!

  1. Home
  2. /
  3. Notícias
  4. /
  5. Colunas
  6. /
  7. Errou? Tente de novo!

Por Monsenhor José Ágius

Nossas escolhas nem sempre são fáceis. Quando o que está em jogo é a nossa felicidade ou a realização de um desejo muito forte, uma escolha errada pode pôr tudo a perder. Diz o ditado que “quem não arrisca não petisca”, mas há circunstâncias em que a melhor opção pode ser justamente não arriscar. O mundo atual muitas vezes nos leva a fazer escolhas erradas. Daí a necessidade de constante discernimento, de ponderar as coisas e de rever posições, pois obstinar-se no erro traz consequências ainda piores do que errar uma vez. Mesmo quando erra, o ser humano pode refazer a sua escolha.

Discernir, porém, nem sempre é fácil. Muitas vezes erramos em nossas escolhas justamente por não conseguirmos discernir o que é melhor. Somos maduros quando conseguimos rever os erros e tentamos acertar. Dizia Santo Agostinho que nós não escolhemos o mal pelo mal, mas que exercemos mal o nosso livre arbítrio e acabamos errando.


Mas poderá o próprio ser humano, ainda que aprendendo com seus erros, conseguir evitar totalmente o mal? Mais ainda: poderá ele consertar o mal que já fez sozinho? A fé bíblica nos faz afirmar que sem a orientação e a ajuda de Deus, nós não conseguiremos ser felizes e tampouco conseguiremos consertar o estrago que já fizemos com nossos erros. A trajetória do povo de Israel na Bíblia nos indica que, contrariando as mais pessimistas previsões humanas, Deus não desiste de salvar o ser humano. Ele não deixa a humanidade à mercê de sua própria sorte, abandonando-a para que ela se dane, já que é o que Ele escolheu. Salvá-la é a única forma de continuar o seu projeto. Deus até poderia deixar que tudo se acabasse e voltasse ao caos; poderia pôr fim à aventura da vida. Estaríamos perdidos para sempre. O que é que faz Deus optar por continuar? Jamais entenderemos o que se passa em Deus! É um mistério insondável! Se pudermos ao menos confiar que Ele fez a escolha certa, temos um parceiro para realizar nossa vocação à felicidade.


No evangelho escrito por Lucas, capítulo 4, versículo de 1 a 13, Cristo manifesta sua solidariedade ao povo sofrendo as mesmas tentações que se abatem frequentemente sobre nós também. Vivemos nesta constante luta contra as forças que nos impelem na direção contrária à que Deus gostaria que fôssemos. São as forças ditas demoníacas, que o livro do Gênesis simbolizou na serpente. Estas forças agem tanto dentro quanto fora de nós. São aquelas vozes que nos confundem e nos fazem acabar por escolher o que não nos realiza, mas ao contrário, nos afasta de Deus e de seu projeto.


As três tentações de Cristo se referem àquilo que mais desperta o desejo humano: a primeira é satisfazer as próprias necessidades (transformar as pedras em pão para matar a fome); a segunda é estar isento de sofrer de sofrer qualquer dano físico (jogar-se do alto abaixo e não ferir-se): e a terceira é ser rico, famosos e poderoso (possuir os reinos do mundo e suas riquezas). Em si mesmas estas não são coisas más. A questão é a serviço de que e de quem estes desejos são orientados. O evangelho nos revela que podemos distorcer o sentido de um bem real, de algo que é bom, a ponto de idolatrarmos esse bem, tornando-nos escravos de nossos impulsos, de nossos desejos e perdendo o sentido de nossa vida. Jesus nos mostra que nossos anseios podem ser canalizados para o projeto de Deus, rejeitando toda manipulação que escraviza a nós e aos outros. Ele nos mostra que somos capazes de rejeitar o mal quando nos orientamos pela Palavra de Deus. Sabendo escolher, com discernimento, com clareza, com coragem e confiança em Deus, podemos evitar que o mal domine em nossas vidas e neste mundo. Muitas vezes a realização pessoal não pode ser a única razão para se escolher algo. Temos de pensar também na realização do coletivo, pois o futuro de muitos depende também de nós.

Monsenhor José Ágius

Foto de Monsenhor José Agius Monsenhor

Monsenhor José Agius Monsenhor

Compartilhe:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email

VEJA TAMBÉM:

Religião

Santuários vivos de Deus

Por Humberto Xavier Rodrigues O Senhor Jesus nos salvou para ser Senhor de nossas vidas. De todas as “religiões” do mundo, a única que fala

Cultura

Como estariam os Mamonas Assassinas?

Por Samuel M. Bertoco Em março de 2026 faz vinte anos de uma das maiores tragédias da música nacional. Em vez de lembrar o passado

Religião

Religiões x Graça

Humberto Xavier Rodrigues é formado em Teologia Quanto mais examinarmos as características da religião do homem, em todas as suas fases, tanto mais veremos a