Jô pra mim

Por Samuel M. Bertoco

Notícia quase velha que Jô Soares faleceu semana passada. Um dos maiores multi artista que o Brasil já conheceu. Mas acho que todos já leram – eu pelo menos, já li – umas trocentas matérias e colunas sobre como ele é isso e aquilo e como ele fez várias coisas muito bem. Eu não vou fugir muito disso também, mas quero falar de uma forma um pouco mais pessoal, porque o Jô, além de tudo isso, foi meu companheiro de insônia por muitas e muitas noites – e sei que foi para tantos outros milhares por aí.


Eu tenho insônia desde sempre, sempre mesmo. Passei a infância entre épocas em que ficava olhando o quarto escuro e épocas que minha mãe cedia e botava uma TV no quarto – mesmo sabendo que não era o melhor dos mundos pra uma criança. Mas comecei a ver o Gordo ainda no “11 e Meia”, numa tvzinha preto e branco do colchão que minha avó colocava do lado da cama dela quando dormia lá – e dormia muito hein? Aliás, acho que gostava tanto de ir lá justo pra ver o Jô, já que provavelmente em casa era época de “quarto escuro”.


Quando Jô foi pra Globo eu já era adolescente, vi seu programa de estreia e incontáveis programas a partir daí. Jô ajudou muito em minha formação cultural, e o seu modo de opinar, mesmo às vezes criticar, me influenciou demais. Mas mais que isso, quase sempre, eu já sabia que não ia dormir, que ia ter que acordar com sono pra ir pra escola, que ia rolar pra lá e pra cá a noite inteira, mas sabia que o parceria iria estar lá, pelo menos no começo da jornada.


Eu podia dizer que estava lá no primeiro programa, na entrevista mais engraçada – do deputado gago – na entrevista mais emocionante – do ex-marginal que montou uma creche pra crianças problemáticas – que estava lá na mais difícil – quando perdeu o filho – que estava lá quando o stand up estourou com Diogo Portugal no programa, que estava lá na primeira Meninas do Jô e que estava lá em vários e vários outros momentos. Mas é que na verdade era sempre ele que estava lá pra me fazer companhia, pelo menos por uma horinha, nas incontáveis noites que seriam longas noites.
Beijo pro Gordo.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

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