REFÉNS DA LIBERDADE

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Sobrelinhas – por Carla Kühlewein

Foi Jean Paul Sartre quem alertou: “Estamos condenados a ser livres”. Como assim? O livro infantil ‘Viva a liberdade’, de Maria Cristina Furtado, nos ajuda a compreender melhor a questão. A história traz a saga dos animais da Floresta do Amor, que vivem sob a ameaça do Homem (com serras elétricas, machados e coisas tais) e sob o julgo do traiçoeiro e maldoso Tigre. Cansados de viverem com medo, o Alce e o Raposo decidem reunir os animais descontentes com a situação e juntos criarem um plano para sabotar a ditadura do Tigre:

“E ali, unidos em pensamento e coração, os animais passaram a elaborar o plano. Um plano bastante arriscado, mas, se desse certo, eles não derramariam uma gota de sangue, no entanto, se não desse…”

Bastou a iniciativa do Raposo e do Alce para que toda a bicharada criasse coragem e se unisse, rumo à batalha. Que arma usariam? Uma estratégia coletiva toda elaborada às escondidas:
“À noite, na hora marcada, todos foram para as proximidades da caverna…

Os animais encontraram-se com o Alce e o Raposo, carregando pratos, pedaços de madeira, tambores… era um exército diferente […] Os animais espalharam-se, assim que o Alce deu sinal, começaram a bater nos objetos vagarosamente, imitando passos de animais. Aos poucos, o barulho foi crescendo, como se um exército de animais estivesse se aproximando…”

Se a batalha pela liberdade desses astuciosos bichos deu certo, só mesmo lendo a obra para descobrir. Mas, cá entre nós, o Tigre deve ter ficado um tanto atormentado com o ensurdecedor barulho…
Por falar em batalha e barulho… Não é preciso estar na guerra do outro lado do mundo para ouvirmos os sons de ameaça a nossa liberdade. Daqui de longe, nossa visão pode não ser muito boa, mas nítida o suficiente temermos o pior.

Afinal, cedo ou tarde, qualquer um de nós se cansa de se submeter (a algo ou a alguém) e segue traçar o próprio destino. Sartre realmente tinha razão, não temos escolha: lutar pela liberdade nos aprisiona. De um jeito ou de outro, estamos fadados a viver como reféns da liberdade.

Carla Kühlewein É graduada em Letras Vernáculas e Clássicas (UEL), Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada (Unesp) e Doutora em Literatura e Vida Social (Unesp).

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