Stranger Things: a despedida emocional de um fenômeno

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Por Samuel M. Bertoco

Stranger Things foi uma ideia que deu muito certo. Misturar as melhores referências dos anos 80; de Alien a de Hora do Pesadelo a ET e criar uma trama de amigos pré-adolescentes lutando contra um mal que os adultos – a maioria – não vêm.
A série marcou, criou personagens inesquecíveis e formou astros – Millie Bobby Brown é possivelmente a atriz mais famosa da atualidade – e acabou, com seus altos e baixos, da forma mais emocional possível, e pra mim, maravilhosamente bem.
Mas teve quem não gostou. A série, durante os anos, criou mistérios e teorias as centenas. Até se propôs a responder alguns, deixou várias coisas sem resposta, ou simplesmente largadas. A maior parte das críticas vem daí. Eu entendo, mas não concordo.


Stranger Things nunca foi sobre seus mistérios, suas teorias e sim sobre crianças criando soluções mirabolantes, jovens dando com taco de baseball na cabeça de monstro e amizade. Não é Lost, é Goonies; é ET. Então o fim não foi feito pra responder, para saciar seu adulto interior e sim sua criança. Até porque, fosse pra ter um mínimo pé na “realidade” essa cidade estava evacuada e interditada desde a primeira temporada e a gente não teria a segunda.


Claro que tem coisa ruim, a série se nega a matar qualquer personagem, mesmo tendo uns fazendo hora extra – cof cof Johnanthan – cria-se um ritual pro vilão invadir Hawkings que não faz sentido – criando uma personagem e todo um arco bem ruim – e os monstros mudam de força conforme quer o roteirista – hora um monstro mata um pelotão do exército inteiro só para em outra cena apanhar de um adolescente. Mas tem referencia maior aos anos 80 que essa proposital falta de lógica?


Apesar da luta com o monstrão final ter sido meio xoxa, nos deu um encerramento bem satisfatório, e depois a série teve culhão de colocar simplesmente quarenta minutos de epílogo, tipo, eles salvam o mundo na metade do episódio final, e fica quase a outra metade para nos emocionar e despedir daquela galera que vimos criança, e como toda criança, cresceu e seguiu a vida. Incrível.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

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Samuel Bertoco

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