Exemplo: uma mulher batalhadora e de cabeça erguida

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Numa época de privações e obstáculos por sua condição social e por sua cor, Jandira tornou-se professora, diretora e exemplo

Hoje, dia 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Além disso, também é aniversário de Jandira Amélia da Silva Rodrigues, que completa 83 anos. E foi com a ex-professora rolandense que o JR foi conversar e inicia essa série de mulheres especiais e comuns, dependendo do local de onde se olha.


Dona Jandira fez história, apesar de ter lecionado matemática por boa parte de sua vida: foi a primeira professora negra no município e também a única pessoa a receber o prêmio Zumbi dos Palmares, que homenageia destaques na defesa dos direitos humanos, no combate à discriminação e ao preconceito racial. Jandira recebeu a homenagem da Câmara Municipal no dia 19 de novembro de 2018, numa indicação do vereador João Ardigo.


A ex-professora sabe, e sempre soube, que cor de sua pele lhe dava desvantagens e lhe rendia preconceito e racismo. “Se fosse disputar um serviço com uma mulher branca, é claro que eu não seria escolhida”, relembra. Por isso, Jandira se apegou aos estudos e conseguiu um emprego de professora, no qual ficou por mais de três décadas.


Sobre a violência contra as mulheres, que têm sido mais frequente em tempos atuais, a ex-professora falou sobre independência. “Eu gostaria que as mulheres fossem, em primeiro lugar, independentes para não ficar dependendo de ninguém e para não sofrerem violência. Acho que a maioria das mulheres que sofrem violência é por serem dependentes do parceiro. Queria que elas pensassem um pouco nisso aí, que estudasse, e trabalhassem para não depender de nenhuma pessoa”, ensina dona Jandira.


A exemplar ex-professora também mandou uma mensagem às mulheres. “Nesse 8 de março, eu gostaria de felicitar a todas nós, mulheres, do mundo inteiro”, pontuou. Parabéns também a ela, por seu posicionamento, postura, empoderamento e, claro, pelo aniversário.

Jandira com o esposo Durval

Quem é
Jandira nasceu em Rolândia em 8 de março de 1943, filha de Antonio Cassiano da Silva, natural de Santa Rita de Jacutinga (MG) e Sebastiana Amélia da Silva, de Inácio Uchoa (SP). Jandira é casada desde 1965 com Durval Antonio Rodrigues (85), tem quatro filhos (Áurea, Marcos, Edson e Marcelo) e três netos (Nayara, Jamile e Elton).


Jandira terminou o colegial no Colégio Estadual Souza Naves com 17 anos e, quando completou 18 anos, procurou a Prefeitura, falou com o prefeito Amadeu Puccini e foi enviada para trabalhar no grupo escolar da Vila Oliveira, que hoje é o Colégio Villanueva. Ela lecionava para turmas da primeira à quarta série. Pouco tempo depois, ela foi nomeada professora do Estado. Em 1970, ela deixou a sala de aula para assumir a diretoria do grupo escolar, cargo que ocupou por cerca de três anos antes de integrar a secretaria de Educação no distrito de São Martinho. Foi nesse momento que ela começou a estudar Matemática, mesmo já sendo formada em Pedagogia pela Faficla de Jandaia do Sul, nos anos 60.


Com a nova formação, ela passou a lecionar para turmas do 5º ao 8º ano no distrito. Nos anos 80, ela foi aprovada no concurso estadual para ser professora de Matemática e escolheu lecionar no Villanueva, local onde tudo começou em sua carreira profissional. Além de dar aulas, ela trabalhou na secretaria do colégio. Jandira se afastou das salas de aula há cerca de 30 anos, quando se aposentou.

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