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Plantio Direto está orfão

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    Rolândia está mais triste: um dia após o aniversário de 77 anos de emancipação do município, falece um dos seus filhos mais famosos e que levou o nome da cidade ao mundo inteiro: Herbert Arnold Bartz. Herbert, que praticamente “inventou” o Plantio Direto na Palha e revolucionou a agricultura brasileira, estava internado na Santa
Casa de Arapongas, e faleceu na madrugada desta sexta-feira (29) aos 83 anos.
    O falecimento foi em consequência de complicações de uma pneumonia que o acometeu – Herbert faria 84 anos no dia 14 de fevereiro. O agricultor deixa a esposa Luíza, a filha Marie e o filho Johann Bartz.
    Vida e pioneirismo

    Herbert Arnold Bartz nasceu em Rio do Sul, em Santa Catarina, em 14 de fevereiro de 1937, filho de imigrantes germânicos. Passou boa parte da infância e da juventude na Alemanha, em meio à Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), passando por privações, inclusive de comida. Sobreviveu a um imenso ataque aéreo com bombas incendiárias, comandado por forças britânicas e arrasou Dresden, cidade alemã cortada pelo Rio Elba na noite de 13 de fevereiro de 1945. Depois, teve o pai prisioneiro dos russos, integrou um grupo de ginástica artística, viajou “fazendo mochilão” pela Europa, perdeu a mãe e voltou com o pai e os irmãos para o Brasil.

    Em 1960, estabeleceu-se em Rolândia, na Fazenda Rhenânia, ao lado do pai, Arnold, e dos irmãos. Agricultor, aborreceu-se com as dificuldades que a vida de homem do campo impunha, principalmente com os fracassos das lavouras. Com o clima indomável, chuvas torrenciais e erosão, a terra e a fertilidade ia para os rios.
    Em 1971, durante uma tempestade, assistiu o solo arado e gradeado se desfazendo. Saiu a viajar para “buscar soluções” e voltou dizendo que o certo era plantar sem arar e gradear: fazer plantio direto ou, como diziam nos Estados Unidos, “No-Tillage” ou “No-Till”.
    Em 1972, importou uma plantadeira Allis-Chalmers e fez o primeiro plantio em larga escala sem arar o solo da América Latina. Seus vizinhos começaram a dizer que ele havia enlouquecido. O fato era tão inédito que a Polícia Federal apreendeu toda a produção de soja resultante daquela iniciativa.
    Pai do Plantio

    Bartz era chamado de “Pai do Plantio Direto” e reconhecido como tal em vário locais do mundo. Em 2018, na ExpoLondrina, um livro sobre sua vida foi lançado: “O Brasil possível: a biografia de Herbert Bartz”. O livro foi escrito pelo jornalista Wilhan Santin, que, durante 14 meses, fez 20 entrevistas com o biografado, ouviu outras 27 pessoas, pesquisou em dezenas de revistas, jornais, fotografias, livros e artigos da Internet para reconstruir toda a história de 81 anos de vida de Bartz.

    “A obra foi idealizada por Johann e Marie Bartz, filhos de Herbert, e construída graças à colaboração de muitas pessoas, inclusive do próprio Bartz. Ele participou intensamente, contando tudo com detalhes. Muitos o relacionam ao pioneirismo do Plantio Direto, mas desconhecem toda a história anterior que o levaram ao Sistema. Além disso, trata-se também de, além da saga de um agricultor, contar um capítulo importante do agronegócio brasileiro”, explica Santin à época.
    Considerado louco em 1972, quando plantou por cima da palha da safra anterior, o método de Bartz se espalhou pelo Brasil e América Latina. Atualmente, diferente é quem cultiva sem fazer Plantio Direto. Dados da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação indicam que o sistema é utilizado em quase 90% das áreas ocupadas com lavouras de grãos.

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