Projeto do Colégio Roland transforma dados sobre violência contra as mulheres em material educativo e preventivo para meninas e meninos

Um grupo de estudantes do Colégio Roland, de Rolândia, tem chamado atenção ao transformar preocupação em ação. O projeto ‘Manual antiviolência para garotas’ foi idealizado por Lorrane Alves Molitor (16) e ganhou força com a participação de Ana Lívia da Silva (17) e Ana Clara Corcini Pereira (16), sob orientação da professora de História, Bethânia Cristina Gaffo Gregorio. A iniciativa surgiu dentro do ambiente escolar, mas rapidamente se expandiu para além da sala de aula ao abordar um tema urgente: a violência contra a mulher.
Urgência social
O projeto começou com uma proposta diferente. A intenção inicial era discutir as conquistas históricas das mulheres, mas, durante o processo de pesquisa, as estudantes se depararam com o aumento dos casos de feminicídio no país. A mudança de rota foi natural. “A gente percebeu que, no cenário atual, era mais importante falar sobre o que está acontecendo agora”, relata Lorrane.
A partir disso, o foco passou a ser a prevenção e a conscientização, especialmente entre adolescentes, público que muitas vezes vivencia situações de risco sem reconhecê-las como violência. Com a entrada de Ana Lívia e Ana Clara, o projeto ganhou novas perspectivas. O trabalho coletivo permitiu ampliar as discussões e estruturar melhor o material. Para as participantes, o envolvimento também trouxe aprendizado pessoal. Além de estudar o tema, elas passaram a compreender melhor comportamentos abusivos e a importância de orientar outras jovens sobre como identificar e denunciar situações de violência.

Um manual
O principal produto do projeto é um manual, atualmente adaptado para o formato de folder, com linguagem acessível e direta. O material reúne informações sobre relacionamentos abusivos, sinais de alerta e orientações práticas para buscar ajuda. Entre os exemplos apresentados estão comportamentos como controle sobre amizades, imposições sobre vestuário e tentativas de isolamento familiar, atitudes frequentemente naturalizadas no cotidiano.
Um dos pontos centrais do projeto é justamente essa falta de percepção. Segundo as estudantes, muitas adolescentes não identificam que estão em relações abusivas. “Tem muitas meninas que não percebem que estão vivendo isso”, destacam. Por isso, o manual foi pensado como um instrumento de reconhecimento e autonomia, permitindo que a própria jovem identifique situações problemáticas.
Para fortalecer o conteúdo, o grupo realizou pesquisas com alunos do 8º ano ao 3º ano do ensino médio dentro do próprio colégio. Os dados coletados ajudam a compreender a realidade dos adolescentes e devem ser incorporados ao material final, ampliando sua relevância e conexão com o público.
Educação, prevenção e impacto social
Apesar do foco nas meninas, o projeto também envolve os meninos em palestras e discussões. As estudantes abordam temas como misoginia, influência da internet e responsabilidade nos relacionamentos, buscando construir uma conscientização coletiva. A proposta é atuar na base, antes que comportamentos se consolidem ou evoluam para situações mais graves.
Outro destaque do manual é a inclusão de canais de apoio e denúncia, além de informações sobre redes de acolhimento.
Durante o desenvolvimento do projeto, as alunas conheceram serviços locais e descobriram, por exemplo, espaços que acolhem mulheres vítimas de violência junto com seus animais de estimação, fator que pode influenciar diretamente na decisão de buscar ajuda.
De acordo com a professora Bethânia, a iniciativa tem um objetivo claro: prevenção. “A ideia é alcançar essas meninas ainda em formação, para que consigam identificar e sair dessas situações antes que se agravem”, explica a docente. Mesmo em um contexto considerado muitas vezes conservador, o retorno sobre o projeto tem sido majoritariamente positivo.
O projeto já foi apresentado para a Procuradora da Mulher da Câmara o grupo pretende ampliar a distribuição do material, buscar parcerias para impressão e levar a iniciativa para outros espaços.



