Violência contra a mulher pode começar silenciosamente

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Psicóloga explica como identificar diferentes formas de violência e reconhecer sinais de controle nos relacionamentos

Texto em duas partes: a 2ª parte na próxima edição

A violência contra a mulher nem sempre começa com uma agressão física. Durante o Agosto Lilás, a psicóloga Josiane Monte Araújo chama atenção para comportamentos que podem ser naturalizados dentro dos relacionamentos e que também representam formas de violência.


Segundo ela, as principais formas são física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A violência física envolve agressões como empurrões, tapas, socos e chutes. Já a psicológica pode aparecer por meio de ameaças, humilhações, chantagens, ciúmes excessivos, isolamento e tentativas de controlar a vida da mulher.


“A violência contra a mulher não é somente aquilo que deixa marcas no corpo. Muitas vezes, ela começa com comportamentos de controle e desvalorização que vão se intensificando ao longo do relacionamento”, explica.


A violência sexual também pode ocorrer sem agressão física, como quando a mulher é pressionada a manter relações ou práticas que não deseja ou tem decisões relacionadas à reprodução controladas. Já a violência patrimonial envolve dinheiro, documentos, bens ou objetos pessoais, enquanto a moral pode ocorrer por meio de calúnia, difamação e injúria.

Quando o controle passa dos limites
Exigir senhas de celular e redes sociais, controlar roupas, amizades e lugares frequentados, monitorar constantemente onde a mulher está, impedir contato com familiares, controlar dinheiro e fazer chantagens emocionais são alguns dos comportamentos citados pela psicóloga.


“Quando a mulher começa a modificar sua maneira de vestir, falar, sair, trabalhar ou se relacionar com outras pessoas por medo da reação do parceiro, estamos diante de um sinal importante de alerta”, afirma.


Josiane explica que uma relação saudável pressupõe respeito, autonomia, confiança e diálogo. Uma pergunta importante, segundo ela, é: “Eu posso dizer não sem medo?”


A violência também pode ser difícil de reconhecer porque costuma acontecer de forma progressiva. Dependência financeira, filhos, medo, vergonha, culpa, isolamento e a esperança de que o parceiro irá mudar podem dificultar a busca por ajuda.


Na prática profissional, Josiane relata que algumas mulheres chegam ao atendimento com ansiedade, medo, baixa autoestima e sofrimento emocional sem necessariamente relacionar esses sentimentos à violência. “Dar nome ao que está acontecendo ajuda a pessoa a reconhecer a violência e buscar ajuda”, destaca. Para a psicóloga, não é necessário esperar uma agressão física grave para procurar orientação. “A violência psicológica também é violência e merece atenção”, reforça.


Onde buscar ajuda
O CRAM (Centro de Referência de Atendimento às Mulheres) fica na Rua Monteiro Lobato, 322, Centro, e oferece atendimento psicológico, social e jurídico, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
O CAPS-AD, na Rua Alzira Tiburski, 102, também é um serviço de portas abertas para questões relacionadas ao uso abusivo de álcool e outras drogas. Informações pelo telefone (43) 3255-1926.

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