Organizado pela Diretoria de Políticas para as Mulheres de Rolândia, com a apoio do JR, concurso teve a participação de cinco colegiais estaduais

O concurso de redação “Agosto Lilás em Palavras: Consciência que Transforma”, organizado pela Diretoria de Políticas para Mulheres de Rolândia e pelo Grupo JR, já tem as suas redações vencedoras. Uma reunião entre a Comissão Avaliadora e a Diretoria, ocorrida na manhã desta sexta-feira (31) no Cram (Centro de Referência de Atendimento à Mulher), analisou as 25 redações pré-classificadas e elegeu as três primeiras colocadas. “Temos as três melhores redações e de colégios diferentes”, explica Viviane Vernillo, da Diretoria de Políticas.
Lançamento e revelação
Na próxima quarta-feira (5/8), a Secretaria de Assistência Social realiza o lançamento da campanha municipal do Agosto Lilás no Centro Cultural Nanuk, a partir das 14 horas. No mesmo evento, a Diretoria de Políticas para Mulheres fará a revelação das redações vencedoras e premiará seus autores/autoras. A premiação contará com a presença das membras da Comissão Avaliadora: Fernanda Polvani, Sabine Giesen e Claudia Strassacappa.
O concurso
O concurso de redação “Agosto Lilás em Palavras: Consciência que Transforma” foi direcionado ao 3º ano do Ensino Médio dos colégios estaduais de Rolândia. Convidados para o evento social-escolar, cinco colégios aceitaram o desafio e, com seus alunos e alunas, produziram os textos que foram corrigidos nos próprios colégios – classificando cinco redações para a fase final. Participaram dessa primeira edição do concurso os colégios Kennedy, Souza Naves, Villanueva, Chiarelli e Magdalena Muller Ramos (provisoriamente alocado na Faccar). Os estudantes foram incentivados a refletirem sobre a violência contra mulheres e meninas, utilizando a escrita como ferramenta de conscientização e transformação social.
Segundo a diretora de Políticas Públicas para as Mulheres da Secretaria de Assistência Social, Viviane Vernillo, a escolha pelo ensino médio aconteceu porque essa é uma etapa em que os estudantes já possuem maior capacidade de argumentação e reflexão, além de estarem se preparando para exames como o ENEM e os vestibulares. “Também é uma fase em que muitos já vivenciam, direta ou indiretamente, questões relacionadas às relações afetivas e sociais, tornando esse debate ainda mais significativo e próximo da realidade deles”, explica.
Viviane afirma que o objetivo do concurso vai além da produção de um bom texto. “A escrita é uma ferramenta potente de expressão e elaboração. Mais do que produzir uma redação, queremos que os estudantes desenvolvam empatia, responsabilidade e respeito nas suas relações, reconhecendo que também fazem parte da construção de uma sociedade mais justa”, disse a diretoria de Política para Mulheres. Para Viviane, a escola ocupa um papel essencial na prevenção da violência, justamente por ser um espaço de formação de valores, cidadania e consciência crítica.
Já, uma das integrantes da comissão responsável pela avaliação das redações finalistas do concurso, a professora de Língua Portuguesa e Redação Fernanda Polvani afirma que ficou positivamente impressionada com a qualidade dos trabalhos enviados pelas escolas. “O que mais me chamou a atenção foi a organização textual da grande maioria das redações. Também fiquei muito contente ao perceber que o tema foi estudado antes das produções”, afirmou Fernanda.
De acordo com a professora, foi possível perceber que os estudantes pesquisaram, debateram e compreenderam as diferentes formas de violência contra a mulher antes da elaboração dos textos, o que resultou em argumentos consistentes e bem fundamentados. “Não percebi uma diferença clara na forma como trataram a questão. Todos escreveram de maneira bastante analítica, e isso foi muito significativo.”
Também integrante da comissão avaliadora, a vereadora e Procuradora da Mulher, Sabine Giesen, afirma que as redações revelaram uma geração preparada para discutir um tema tão sensível com maturidade e responsabilidade. “Fiquei surpresa, de maneira muito positiva, com o grau de maturidade dos jovens. Eles demonstraram compreender que a violência contra a mulher tem raízes sociais e culturais e que precisa ser enfrentada por toda a sociedade.”
Segundo Sabine, os estudantes mostraram que entendem que a violência não se resume às agressões físicas, mas também inclui formas psicológicas, morais, patrimoniais e sexuais, além da chamada cultura do silêncio, que impede muitas mulheres de buscarem ajuda. Para a vereadora, iniciativas como essa representam um importante instrumento de prevenção. “Quando levamos esse debate para dentro das escolas e permitimos que os jovens reflitam e expressem suas opiniões, estamos plantando uma semente. Essa semente pode contribuir para formar uma geração mais consciente, mais respeitosa e menos tolerante com qualquer forma de violência contra a mulher.”
A parlamentar também ressalta que o Agosto Lilás fortalece a conscientização, mas que o enfrentamento à violência precisa acontecer de forma contínua. “O nosso trabalho não pode acontecer apenas em agosto. Precisamos manter esse assunto presente durante todo o ano, fortalecendo a informação, a rede de proteção e o acesso das mulheres aos serviços de acolhimento.”
Para Viviane Vernillo, é justamente esse o propósito da iniciativa: utilizar a educação para formar cidadãos capazes de identificar situações de violência, promover relações mais saudáveis e contribuir para que cada vez menos mulheres sejam vítimas desse tipo de crime.



