Rolândia: concurso de redação é destaque no Agosto Lilás

  1. Home
  2. /
  3. Notícias
  4. /
  5. Social
  6. /
  7. Rolândia: concurso de redação...

Promovido pela Diretoria de Política para Mulheres e pelo Grupo JR, concurso teve a participação de cinco colégios estaduais

Os ganhadores com seus diretores

O lançamento do ‘Agosto Lilás’ de Rolândia, na quarta-feira (5), no centro cultural Nanuk, teve com um dos destaques o Concurso de Redação ‘Agosto Lilás em Palavras: Consciência que Transforma’. Voltado aos estudantes do 3º ano do Ensino Médio dos colégios estaduais, o concurso contou com a participação de cinco colégios e de mais de 70 alunos e alunas que tiveram como tema “Cultura do silêncio e a persistência da violência contra mulheres e meninas no Brasil: desafios para o rompimento de ciclos.”

Viviane Vernillo com a Comissão Avaliadora: Cláudia, Sabine e Fernanda


O concurso teve um momento próprio dentro do evento do Nanuk: a revelação e a premiação das redações vencedoras. Essa parte do cerimonial foi apresentado por Josiane Rodrigues, sócia-proprietária do Grupo JR de Comunicação. Depois de muito suspense, veio o resultado: Pedro Henrique do Nascimento Magalhães de Oliveira, do Colégio E.C.M. Presidente Kennedy, venceu o concurso e levou para casa R$ 1.500,00 e uma bolsa para o curso de redação. Na sequência, Letícia Corsini, do Colégio E. C.M. Francisco Villanueva, ficou em 2º lugar (prêmio de R$ 1 mil) e Ana Carolina Vedrameto, do Colégio Estadual Souza Naves, ficou em 3º lugar e ganhou uma poupança de R$ 500. Houve, ainda, o sorteio de uma bicicleta, que saiu para Raphael Frigo Silva.


O papel do JR no concurso foi o da divulgação e da captação dos recursos para a premiação. “Por isso agradecemos nossos parceiros KNN Idiomas, Konex Internet, Lions Clube de Rolândia, Madame Bike Shop, Sicredi Agroempresarial de Rolândia e ao empresário que preferiu manter-se anônimo”, ressaltou José Eduardo da Silva, sócio-proprietário do JR.

O concurso
Participaram do concurso estudantes dos colégios estaduais Prof. Maria Madalena Muller Ramos, Souza Naves, Presidente Kennedy, Francisco Villanueva e José Alexandre Chiarelli. Esses alunos e alunas tiveram palestras e ações sobre o tema, como a participação da Patrulha Maria da Penha e de profissionais da Diretoria de Políticas para Mulheres de Rolândia.


Depois dessa fase, cada instituição escolar realizou uma pré-seleção interna dos textos e enviou cinco redações para a fase final do concurso. Esses textos foram avaliados por uma comissão formada pela pedagoga Cláudia Strassacapa (Assistência Social), pela Procuradora da Mulher, Sabine Giesen (Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher), e pela professora Fernanda Polvani (sociedade civil).

REDAÇÕES VENCEDORAS DO CONCURSO ‘AGOSTO LILÁS’

Redação campeã: Pedro Henrique do Nascimento Magalhães de Oliveira
Colégio Estadual Cívico Militar Presidente Kennedy
3º ano do Ensino Médio – Turma: C

Valorização e respeito às Mulheres no Brasil

A Lei Maria da Penha (Lei 11340), sancionada em 07 de agosto de 2006, foi criada em homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes com intuito de proteger as mulheres em situação de vulnerabilidade no cenário brasileiro.
Contudo, a sociedade contemporânea caminha em sentido oposto a esse preceito, uma vez que a cultura do silêncio e a persistência de violência contra mulheres e meninas no país são alimentadas tanto por padrões culturais ultrapassados quanto por uma educação fragilizada.
Precipuamente, a mentalidade machista e patriarcal tem raízes históricas, estando presente, desde o período colonial, no qual as mulheres eram vistas como objetos e colocadas em um grau de inferioridade na sociedade de época. Nesse contexto, heranças socioculturais persistem na atualidade. Segundo a Sociólogo Gilberto Freyre, em Casa-Grande e Senzala, a sociedade brasileira foi estruturada por hierarquias sociais profundamente enraizadas, cujos reflexos ecoam na contemporaneidade. Desse modo, percebe-se uma problemática similar à retratada na obra, visto que o silenciamento e a opressão de corpos femininos continuam enraizados. Assim, enquanto não houver a reversão desses valores ultrapassados, as mulheres continuarão sofrendo repressões e agressões.
Ademais, a educação é um dos principais instrumentos de transformação social. De acordo com a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, a educação possui um potencial para modificar indivíduos e, consequentemente, a sociedade. Sob essa ética, a escola é um vetor fundamental para conduzir os cidadãos para uma convivência harmoniosa na sociedade, eliminando, assim essa mentalidade enraizada, composta por estigma e valores patriarcais. Nesse sentido, torna-se imprescindível que a escola seja a principal alicerce para a desconstrução de pensamentos, e visões preconceituosas sobre o valor feminino no cenário atual. Dessa forma, uma educação bem estruturada contribuirá para a consolidação de um futuro mais seguro e equitativo.
Portanto, conclui-se que, para mitigar a cultura de silêncio e as agressões físicas ou verbais, é preciso que o Ministério da Educação (MEC) – órgão responsável pelas diretrizes pedagógicas do país -, em parceria com a mídia, promova a realização de palestras e projetos pedagógicos contínuos nas escolas. Essas ações devem ser dirigidas por profissionais da área, como psicólogos e especialistas em direitos humanos, por meio de debates e rodas de conversa, com o objetivo de desconstruir essa mentalidade de violência contra a mulher, de forma que a Lei Maria da Penha não seja vista como um mero texto utópico, mas sim como garantia efetiva de segurança para mulheres e meninas no Brasil.

Redação 2º lugar: Leticia Corsini
Colégio Estadual Cívico Militar Professor Francisco Villanueva
3° ADM/Ensino Médio Turma: B

As amarras invisíveis do silêncio

O sociólogo Pierre Bourdieu afirma que a “violência simbólica” ocorre quando opressões estruturais são naturalizadas pela sociedade. Nessa perspectiva, na sociedade brasileira a persistência das agressões contra mulheres reflete essa teoria, perpetuada por uma omissa cultura do silêncio.
Neste contexto, esse cenário crônico não é um fato isolado, mas sim reflexo direto da profunda descrença na eficácia das instituições públicas de proteção e a dependência econômica das vítimas.
Nesse viés, a fragilidade institucional perpetua esse ciclo de abusos, sejam eles físicos ou psicológicos.
Segundo o geógrafo Milton Santos, a nação verde-amarela vivencia uma “cidadania mutilada”, na qual os direitos existem no papel, mas não na prática. Sob essa ótica, a falta de aplicação adequada e de fiscalização rígida Lei Maria da Penha e a escassez de delegacias especializadas confirmam essa lacuna da realidade. Como consequência, o agressor age sob a certeza da impunidade, enquanto as vítimas, sem apoio ou ajuda, permanecem silenciadas pelo medo. Logo, urge superar essa passividade e restaurar os direitos de modo igualitário.
Ademais, a dependência socioeconômica das vítimas atua como outro grande forte entrave.
De acordo com o pensador Gilberto Dimenstein, quando os direitos constitucionais não se aplicam na prática, ocorre uma “cidadania de papel”. Segundo essa lógica, na realidade brasileira, a falta de renda própria e o medo de não conseguir sustentar os filhos forçam muitas mulheres a conviver com o agressor. Como consequência, a vulnerabilidade financeira anula a liberdade de escolha perpetua o ciclo de abusos domésticos. Assim sem o devido suporte econômico do Estado, a emancipação feminina permanece como promessa meramente teórica.
Portanto, é fundamental descentralizar as delegacias especializadas da mulher de grandes centros e garantir o cumprimento imediato das medidas protetivas de urgência, além de expandir redes de acolhimento psicossocial. Desse modo, por meio desse fortalecimento prático das instituições será possível romper com a violência simbólica apontada por Bourdieu, transformando garantias teóricas em segurança e dignidade real para todas as cidadãs do Brasil.

Redação 3º lugar: Ana Carolina Vendrameto
Colégio Estadual Souza Naves
3° ano Turma: B

Segredos por trás do silêncio de uma mulher

Na obra “Quarto de despejo – Diário de uma favelada!”, escrito por Carolina Maria de Jesus, relata-se o ambiente vivido dentro da favela do Canindé, dentre outros aspectos, a naturalização da violência contra a mulher, sendo sofrida por suas vizinhas.
Nesse sentido, percebe-se que a cultura do silêncio e a persistência da violência, não somente às mulheres, mas às crianças também, cria um ambiente de discussões frequentes na contemporaneidade brasileira. Dessa forma, torna-se relevante ressaltar que o machismo estrutural e a invalidação feminina impulsionam a problemática supracitada.
Em primeiro plano, é inadmissível que, em pleno século XXI, as estruturas patriarcais originadas de séculos passados continuem perpetuando na vida de milhares de mulheres no Brasil. Tendo em vista que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 29 milhões de pessoas sofrem dessa questão, sendo 72% das agressões sofridas pelo gênero feminino dentro do âmbito doméstico e, 85% dos casos são executados por pessoas próximas da vítima. Logo, torna-se claro que o empecilho continua preservando a invisibilidade dentro de contexto social atualmente.
Paralelamente, é realizada a análise da insegurança do sujeito vulnerabilizado diante do ato de denúncias à causa. Perante isso, o ilustre sociólogo Émile Durkheim fomenta o debate acerca das anomias sociais, que se diz respeito por meio da ineficiência governamental à resolução da problemática. Em síntese, é discutida a impossibilidade civil da mulher, uma vez que a sociedade não se preocupa em resolver o problema.
Portanto, diante do que foi citado, é de extrema importância que o Governo Federal, junto do Ministério da Mulher, crie políticas públicas mais vigorosas e eficazes, tendo em vista, também, a relevância em amadurecer Centros e Delegacias Especializadas da Mulher e promover palestras escolares, a fim de gerar cidadãos conscientes e críticos. Somente assim, o ciclo do silêncio e a persistência da violência poderão ser quebrados.

FOTO(S) DESTA MATÉRIA

Compartilhe:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email

VEJA TAMBÉM: