Rolandense recebe prêmio nacional após doar medula

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Adolescente doa medula para o irmão com doença rara, viabiliza transplante e recebe uma das mais raras honrarias do país por salvar uma vida

Leonardo com os pais Marcos e Karin; ao direita, a avó Mariluci

O adolescente Leonardo Kenji Schurmann Toshimitsu (14), de Rolândia, recebeu um dos mais raros reconhecimentos concedidos no país por um ato de coragem e altruísmo. O jovem foi homenageado com o ‘Prêmio por Salvar uma Vida Humana’, concedido pela Ordem DeMolay Brasil, após doar medula óssea e salvar a vida de seu irmão mais novo, Pedro, de 5 anos de idade.


A premiação ocorreu em 21 de fevereiro de 2026 e foi concedida apenas pela terceira vez em 46 anos no Brasil. A história ganhou destaque não só pela raridade da honraria, mas também pela complexidade do caso clínico enfrentado pela família e pela decisão do adolescente em assumir o papel de doador em um procedimento de alto risco.

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Diagnóstico raro e agravamento
Pedro Kenji Schurmann Toshimitsu foi diagnosticado com ALPS (Síndrome Linfoproliferativa Autoimune), uma condição genética rara, com pouco mais de mil casos confirmados e acompanhados em todo o mundo. A doença provoca aumento anormal de linfócitos — um tipo de glóbulo branco — que passam a se acumular em órgãos como o baço e os gânglios linfáticos, comprometendo o funcionamento do sistema imunológico.


A condição também está associada a alterações hematológicas importantes, como redução de hemácias, plaquetas e, em alguns casos, neutrófilos, além de elevar o risco de desenvolvimento de linfomas ao longo da vida. Em 2025, o quadro de Pedro se agravou. O adolescente passou a apresentar debilidade intensa, chegando a perder a capacidade de andar e realizar atividades cotidianas.


Diante da evolução clínica, a família optou pela internação no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, onde exames mais aprofundados identificaram a presença de câncer no sangue, caracterizado como leucemia mielomonocítica. Com o diagnóstico confirmado, a equipe médica informou que a única alternativa terapêutica possível seria um transplante de medula óssea.


O transplante de medula óssea é um procedimento complexo e depende da compatibilidade genética entre doador e receptor. No caso da família Toshimitsu, os pais apresentaram compatibilidade parcial, estimada em 50%. No entanto, critérios médicos indicam preferência por doadores jovens, do sexo masculino e com plena disponibilidade para o procedimento e o acompanhamento pós-operatório. Com isso, Leonardo se tornou o candidato mais indicado para salvar a vida do irmão. Na época, ele estava em Rolândia, sob os cuidados dos avós, enquanto os pais permaneciam em São Paulo acompanhando o tratamento de Pedro.


Ao tomar conhecimento da gravidade do caso e da possibilidade de ser o doador, o adolescente demonstrou inicialmente medo e insegurança, mas após receber orientações médicas detalhadas e conversar com a família, decidiu aceitar o desafio.

Autorização judicial e preparação
Por se tratar de um doador menor de idade, a legislação exige autorização judicial para a realização do transplante, mesmo quando há consentimento da família. Após a liberação oficial, a cirurgia foi agendada. Leonardo foi internado em 27 de agosto de 2025 no mesmo hospital onde o irmão realizava o tratamento. O procedimento consistiu na coleta da medula óssea por meio de punções na região da bacia, técnica comum nesse tipo de doação.


No dia seguinte, a medula coletada foi infundida no organismo de Pedro, dando início ao processo de transplante. Antes de receber a nova medula, o paciente precisa passar por um intenso ciclo de quimioterapia para eliminar as células doentes. Esse processo deixa o organismo extremamente vulnerável, elevando significativamente o risco de complicações e infecções. Após a infusão, a nova medula começa gradualmente a produzir células sanguíneas saudáveis. A assimilação pode ocorrer em cerca de duas semanas, sendo considerada uma etapa decisiva para a recuperação do paciente.


No caso de Pedro, o transplante teve sucesso. Um dos efeitos mais simbólicos do procedimento foi a mudança do tipo sanguíneo, que passou a ser o mesmo do irmão doador, um indicativo da integração da nova medula ao organismo. Atualmente, o menino encontra-se em processo de recuperação, já em casa, retomando a rotina gradualmente e sob acompanhamento médico contínuo.

Reconhecimento nacional
O gesto de Leonardo mobilizou integrantes do Capítulo Getúlio Pereira Salerno, da Ordem DeMolay, que encaminharam a história para avaliação do Supremo Conselho da organização no Brasil. Após análise, foi concedido ao jovem o ‘Prêmio por Salvar a Vida Humana’, uma honraria raríssima no país. O processo de concessão levou cerca de três meses e contou com a participação de diferentes membros da instituição até a aprovação final. A entrega da medalha ocorreu durante uma cerimônia oficial da entidade, surpreendendo o adolescente.


Abaixo, o texto compartilhado por Leonardo Toshimitsu em seu Instagram: “Passei por um dos melhores momentos da minha vida até agora. Recebi uma honraria por um ato que jamais achei que seria tão grandioso e digno de se obter uma medalha de heroísmo. A doação de medula óssea para o meu irmão salvou a vida dele, e a Ordem DeMolay reconheceu esta atitude e me concedeu o Certificado da Legião de Valor por salvar a vida humana. Me faltam palavras para agradecer a todos por esta maravilhosa homenagem, especialmente a minha família e a todos os meus irmãos DeMolay, que sempre estão ao meu lado para tudo.”

Importância da doação
O caso também chama atenção para a relevância da doação de medula óssea no tratamento de doenças hematológicas graves. O cadastro no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) é uma das principais formas de ampliar as chances de compatibilidade para pacientes que não encontram doadores na família.


Embora o procedimento seja seguro e realizado com técnicas consolidadas, a disponibilidade de doadores compatíveis ainda é um desafio em muitos casos, o que torna histórias como a de Leonardo exemplos relevantes de conscientização sobre o tema.


A Ordem DeMolay é uma fraternidade internacional e filantrópica, patrocinada pela maçonaria, para jovens rapazes com idade entre 12 e 21 anos. A organização foi fundada em 1919, nos Estados Unidos, pelo maçom Frank Sherman Land. Desde então, a Ordem DeMolay se espalhou pelo mundo e, hoje, reúne milhões de membros. O slogan da Ordem DeMolay é “nenhum DeMolay deverá fracassar como um cidadão, como um líder ou como um homem”. O nome “DeMolay” refere-se ao francês Jacques de Molay (1292-1314), último Grão-Mestre da Ordem dos Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem dos Templários.

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