Em Rolândia, trabalho com homens violentos envolve escuta, reflexão e avaliação de possíveis demandas relacionadas ao álcool e outras drogas

Parte final do texto da psicóloga Josiane Monte Araújo sobre a violência contra as mulheres
O enfrentamento à violência contra a mulher também envolve trabalhar com os homens que praticaram as agressões. Em Rolândia, a psicóloga Josiane Monte Araújo conduz o grupo Círculos Restaurativos, no CAPS-AD, voltado à escuta, reflexão, responsabilização e sensibilização.
Segundo a profissional, um dos principais desafios é desconstruir a naturalização da violência. Durante esse processo, podem surgir justificativas como “eu estava bêbado”, “ela me provocou”, “foi apenas uma discussão” ou “perdi a cabeça”. Josiane ressalta que o álcool e outras drogas podem estar presentes e potencializar determinados comportamentos, mas não justificam a violência e não retiram a responsabilidade de quem a praticou.
Responsabilização e cuidado
Quando existe uso problemático de álcool ou outras drogas, o trabalho realizado pelo CAPS-AD inclui uma avaliação para identificar a necessidade de acompanhamento. A partir disso, é feita a sensibilização para que o homem reconheça a necessidade de cuidado e possa aderir ao tratamento adequado.
“O objetivo é favorecer a reflexão sobre os próprios comportamentos, as consequências da violência, a forma de lidar com conflitos e emoções e a construção de estratégias que possam evitar a repetição desses padrões”, explica.
Para a psicóloga, responsabilização e cuidado não são conceitos opostos. O tratamento do uso de substâncias pode contribuir para mudanças, mas não deve ser utilizado como justificativa para a violência. “Existem pessoas que consomem álcool e não praticam violência, assim como existem situações de violência em que não existe uso de substâncias”, afirma. O trabalho também busca fazer com que os participantes reflitam sobre as consequências de seus comportamentos e desenvolvam estratégias para evitar a repetição desses padrões.
Rede de atendimento
A psicóloga Josiane destaca que o enfrentamento da violência depende também de uma rede preparada para acolher e orientar as mulheres.
Em Rolândia, o Centro de Referência de Atendimento às Mulheres (CRAM), ligado à Secretaria de Assistência Social, oferece atendimento psicológico, social e jurídico, além de orientações e encaminhamentos para mulheres em situação de violência. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua Monteiro Lobato, 322, Centro.
Já o CAPS-AD atende pessoas com problemas relacionados ao uso abusivo de álcool ou outras drogas. O serviço funciona de portas abertas, sem necessidade de agendamento. “Caso você conheça alguém que pode ter problemas com o uso abusivo de álcool ou outras drogas, o CAPS-AD é um serviço de portas abertas, ou seja, não é necessário agendar para ser atendido”, reforçou a psocóloga Josiane Monte Araújo.
Em tempo: O CAPS-AD de Rolândia está localizado na Rua Alzira Tiburski, 102. Seu telefone para contato é o (43) 3255-1926.



