Por Guilherme Stein, psicólogo e escritor

Recentemente li o livro best-seller A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig, e pude tirar alguns bons questionamentos de lá. O livro conta a história de Nora, uma mulher de 35 anos, solteira, sem filhos, que se vê presa em uma rotina que julga não ter sentido: acorda, trabalha, cuida do seu gato, come e dorme.
O tema central da obra gira em torno de uma questão que aflige grande parte da humanidade: o fato de que não podemos controlar nem prever o futuro com base nas nossas escolhas do presente.
Esse é um fato que parece óbvio, mas que nos causa uma angústia absurda durante praticamente toda a nossa vida. Como saber se estamos fazendo a escolha certa se não há garantia de nada? É claro que algumas decisões têm mais probabilidade de trazer menos problemas, mas, mesmo assim, não sabemos o que o futuro nos reserva.
Não pretendo dar spoilers da obra, pois sugiro que vocês a leiam e tirem suas próprias conclusões. Porém, o fato de o autor nos convocar a pensar sobre nossas escolhas já me parece ser um ótimo motivo, não é mesmo?
E por que é tão difícil fazer escolhas? Porque escolher é perder. Quando decidimos entre uma coisa e outra, sempre estamos abrindo mão de algo. Na vida, é impossível ter tudo. As crianças acreditam que é possível, e é trabalho dos pais e cuidadores ir quebrando, com o tempo, essa ilusão.
Portanto, em tempos em que escolher causa tanta angústia, mas, ao mesmo tempo, é extremamente necessário, pensem bem ao fazer suas escolhas e decidam pelo lado em que, mesmo perdendo, não se perde tanto.
Guilherme Stein é psicólogo e escritor
@psi.guilhermestein



