1999 – o ano que redefiniu o cinema: O Sexto Sentido

Por Samuel M. Bertoco

Continuando nossa saga, hoje vamos lembrar do filme que contém, muito possivelmente, o maior plot twist da história das telonas. O Sexto Sentido foi a grande obra de Shyamalan, um diretor que oscila entre filmaços e tosqueiras horríveis – hoje em dia pendendo mais pro segundo.


Pra quem não lembra, ou não viu – o que seria um pecado mortal – Sexto Sentido conta a história de uma criança que vê pessoas mortas, então sua mãe, que acha que ele está é sem um parafuso; contrata – ou o filme faz parecer que sim – um psicólogo para o ajudar, e em vez de tentar “curar” o garoto.


É claro que o ponto alto do filme é seu final, mas o filme todo é um espetáculo sensorial. A relação entre médico e paciente vai evoluindo a toques muito lentos, com poucas palavras, com olhares e gestos minimamente calculados para estarem lá e te fazerem sentir alguma coisa – é um filme de suspense de gente morta, então, às vezes, esse alguma coisa é um susto ou medo mesmo.


As cores, por vezes monocromáticas, dão a sensação da tristeza em que o garoto vive, de passar por situações impossíveis, vendo coisas terríveis e não ter com quem compartilhar. Sua mãe tem por ele do mesmo tamanho um amor e desespero imensos, de ver seu filho dizer que vê espíritos em todo lugar, tudo é melancólico em sua vida.


E o suspense e mistério estão lá para nos prender a cada segundo na tela, de forma muito bem elaborada.


Aí temos o final – olha o spoiler – onde descobrimos que o psicólogo também está morto- tava tudo lá, cada ceninha, cada frase, cada detalhe, nos mostrava isso – e não, você não viu, ninguém viu. É brilhante, genial, surpreendente, perfeito. O doutor completa seu ciclo, entende o que lhe passou, não sem antes ajudar o garoto a entender que seu dom é esse, ajudar almas perdidas a encontrarem seu caminho, e que nada há a temer, pelo menos não dos mortos, mas aí é outra história.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

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