Adolescência

Por Samuel M. Bertoco

Vou chover no molhado e falar de mais um sucesso da Netflix. E pra dar o destaque do destaque, eles são particularmente bons em contar histórias de temas sensíveis, com dureza, mas sensibilidade em levantar questões difíceis, mas que sempre tem que ser levantadas. Foi assim com o espetacular ‘Olhos que condenam’, foi assim vários outros ótimos títulos e é assim agora com Adolescência.


A trama gira em torno de uma família que acorda com a polícia derrubando sua porta e levando o filho de treze anos, suspeito de assassinato. E a partir daí a reviravolta que todos os envolvidos nessa vida sofrem.


Temos que começar dizendo que a série é desenvolvida em plano sequência, que é quando a câmera acompanha os personagens sem nenhum tipo de corte entre as cenas, é uma forma de filmagem que exige muita coordenação nas cenas e muito ensaio – se errar, tem que começar do zero. Geralmente as produções usam truques para cortar a cena sem a gente perceber, mas nessa série fizeram questão de fazer tudo numa sequência mesmo só. Inacreditável. Os atores estão impecáveis e o garoto protagonista é sucesso instantâneo – nunca havia participado de nada e agora vai disputar tudo quanto é prêmio.


Os episódios são divididos em momentos. O primeiro a manhã da prisão, o segundo uma parte da investigação, o terceiro uma sessão do garoto com uma psicóloga e o quarto uma manhã na família do garoto. Todos sensacionais. Embora o segundo tenha perdido um pouco o sentido no contexto geral do que a série quer falar.


E é “no que a série quer falar” que o bicho pega. Não é bem sobre se o garoto é culpado, mas sobre como os pais não conseguem proteger os filhos contra a internet, contra o bullying e nem entender direito o “mundo” do adolescente. Tem uma cena em que um pai simplesmente não consegue nem se comunicar com um filho – e isso até muda a investigação.

Uma mensagem forte de um sistema abusivo de pertencimento e aceitação; mas sem nunca justificar um ato horrendo que alguém possa ter praticado por conta de qualquer motivo. No fim, mais um acerto da Netflix não no coração, mas no estômago.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

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