‘Faça ela voltar’ é terror moderno sem se esquecer que é terror

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Por Samuel M. Bertoco

Filmes de terror muitas das vezes são alegorias para os mais variados outros temas – de doenças sexualmente transmissíveis a luto, de depressão a passagem da adolescência pra vida adulta – geralmente é assim. Acontece que nos últimos anos parece que a alegoria acabou ficando maior que o próprio filme, e o objetivo de um filme de terror: dar agonia, medo, estranheza, nojo, suto. Troca-se o terror pela mensagem, na maioria das vezes, não agrada.


Faça Ela Voltar não deixa de ter sua alegoria – bem evidente, inclusive – sobre o luto. Mas dá medo, dá agonia, dá aquela sensação ruim – só que boa – de quem gosta de filme de terror, porque ele não deixa a gente esquecer que, alegorias a parte, estamos num terror.


Na trama um casal de irmãos perde o pai e vão morar na casa de Laura, sua nova mãe adotiva. Laura é aparentemente feliz e vive com outra criança, Oliver, mas logo sabemos que ela perdeu uma filha há um tempo atrás e também está tentando se recuperar do luto. Na parte “drama” está tudo aí – e bem feito- , relacionamentos traumáticos, distanciamento entre pais e filhos, luto. Mas no terror a coisa brilha. Oliver começa a ter comportamentos estranhos, Laura – Sally Hawkins incrível no papel – variando entre ternura, tristeza, agonia, estranheza e ódio em uma mudança de olhar e uma tensão crescente que mistura maldade, rituais satânicos, body horror, cenas agonizantes e entidades malignas.


O roteiro é muito bem escrito para, quanto mais pistas vamos pegando, mais desconforto vamos sentindo, culminando em um ato final fechadinho, melancólico e satisfatório.


As alegorias foram apresentadas, explicadas e concluídas, mas o ótimo filme de terror esteve ali o tempo todo, não espreitando, mas na linha de frente, aterrorizando.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

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Samuel Bertoco

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