FOME e SAÚDE

Por Monsenhor José Agius (in memoriam)

A Campanha da Fraternidade que se realiza todos os anos no Brasil, por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos, não se limita ao tempo da Quaresma, mas vai percorrendo todo tempo litúrgico até o início do Advento. Neste ano, a Campanha vai nos alertando sobre uma das obras da misericórdia: a fome. Junto com a fome podemos acrescentar também outra obra da misericórdia: a sede. Percebemos alguns sintomas provocados pela fome e pela sede. Os mais evidentes são o cansaço e a murmuração.

Povo faminto, povo que não tem água para beber é povo cansado, reclamador da vida, murmurante. A murmuração é consequência de uma estado psicológico de quem perdeu a paz interior. Penso que muitos de nós já tivemos contato com pessoas reclamadoras, insatisfeitas; nada está bom. Quando alguém não tem o que beber e nem o que comer, o estado de espírito torna-se depressivo. A fome e a sede fecham o coração e o enchem de tristeza.


Na cena evangélica do encontro de Jesus com a mulher samaritana no poço de Sicar (João 4,5-15), Jesus é op sedento e é faminto. Ele não tem nenhum recurso para tirar a água do poço fundo. A única coisa que Jesus tem é um pedido: “dá-me de beber”. O povo pobre das periferias de nossas cidades, com fome e com sede, não tem nenhum recurso; somente um pedido: dai-nos de comer, dai-nos de beber. Nem sempre, porém, a fome e a sede são de comida ou de água. Fome e sede de educação, de tratamento de saúde, de oportunidade de emprego, de atendimento hospitalar, de ter uma vida digna.


Tem uma particularidade intrigante na conversa de Jesus com a samaritana: onde devemos praticar a religião, encontrando-nos com Deus? Um filósofo judeu, nascido na Áustria, Martin Buber, diz num de seus escritos: Deus se encontra na normalidade das coisas, na normalidade da vida. Fazia parta da normalidade da vida da samaritana buscar água no poço todos os dias e, lá se encontrou com um caminhante cansado, om sede e com fome. Lá se encontrou com Jesus, encontrou-se com Deus. A nossa religião cristã é uma religião do encontro: nós nos encontramos com Deus na oração, na Palavra, na Eucaristia e também nos irmãos e irmãs com sede e com fome. Nós nos encontramos com Deus sendo fraternalmente caridosos!

Foto de Monsenhor José Agius Monsenhor

Monsenhor José Agius Monsenhor

Compartilhe:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email

VEJA TAMBÉM:

Cultura

E quando a voz vai sumindo…

Por Samuel M. Bertoco Todo mundo sabe que guitarras podem trocar cordas, baterias ganham peles novas e pianos passam por afinação. Já o instrumento de

Religião

Boa Nova para Todos

Por Humberto Xavier Rodrigues A boa nova anunciada a todos os homens é que em Cristo todos foram incluídos em sua morte e ressurreição. Ele

Cultura

O Fantástico Jaspion

Por Samuel M. Bertoco Morreu, aos 64 anos, Hikaru Kurosaki. Aqui conhecido nada por nada menos que Jaspion. E para homenagear o maior deles, vou