Street Fighter: um filme ruim que acertou meu coração

Por Samuel M. Bertoco

Existem filmes que conquistam pela qualidade do roteiro, pela profundidade dos personagens ou pelas atuações extraordinárias. E existem aqueles que colocam Ryu e Ken na tela, fazem alguém gritar “Hadouken!” e aí nosso senso crítico tira férias. Esse é Street Fighter.


Dando uma lida nas críticas por aí para ver se a noção geral batia com a minha, a galera especializada não tem sido muito gente fina com o filme não, e motivos não faltam. O roteiro é uma bagunça rocambolesca, com conspirações, rivalidades e reviravoltas que parecem ter sido decididas durante uma partida de videogame. Há personagens demais, desenvolvimento de menos e atuações que oscilam entre o caricato e o constrangedor. Em determinados momentos, parece que cada integrante do elenco recebeu instruções para atuar em um filme diferente.
E, ainda assim, eu me diverti.


Talvez porque Street Fighter tenha sido o jogo de luta que mais joguei na vida – que alias foi meu presente aos 9 anos depois de passar mais de um mês internado. Talvez porque exista algo irresistível em finalmente reconhecer aqueles personagens não apenas pelas roupas, mas pelos movimentos, golpes e personalidades. Ryu, Ken, Chun-Li, Guile, Blanka, Dhalsim, Zangief… eles estão ali. E, pela primeira vez, tive a sensação de realmente estar vendo Street Fighter no cinema – existe o filme de 94 que a criança Samuel até gostou, mas meu Deus que coisa ruim e que personagens que nada tinham a ver com o jogo.


Os figurinos são caprichados, a estética noventista funciona e há um carinho evidente pelo material original. O problema é que nostalgia não resolve tudo. As lutas poderiam ser melhores, a montagem frequentemente atrapalha e o filme parece mais preocupado em apresentar todo o catálogo da Capcom do que em contar uma história coerente.


Mas talvez exista uma diferença importante entre assistir a Street Fighter como crítico de cinema e assisti-lo como alguém que cresceu com um controle nas mãos.


Como filme, é difícil defendê-lo. Como reencontro com uma parte da infância, funciona surpreendentemente bem.
No fim, Street Fighter perdeu vários rounds para o cinema.
Mas, comigo, venceu por nostalgia.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

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