Seus Amigos e Vizinhos segunda temporada

Por Samuel M. Bertoco

Seus Amigos e Vizinhos tinha um pequeno problema para resolver em sua segunda temporada: por quanto tempo é possível assistir Jon Hamm entrando na casa de milionários e roubando objetos absurdamente caros antes de a brincadeira começar a cansar? A resposta dos roteiristas foi inteligente: diminuir os roubos e descobrir que talvez os vizinhos sejam mais interessantes que suas joias.

Coop continua sendo um personagem que chega e domina a cena, e feito na medida para Jon Hamm, combinação perfeita de elegância, arrogância e expressão de homem que percebeu que tomou decisões terríveis, mas provavelmente continuará tomando outras. A diferença é que agora seu grande problema é Owen Ash, que é praticamente ele com muito mais poder, charme e grana.

James Marsden – Ash – é a melhor novidade da temporada. Seu bilionário é charmoso, divertido, invasivo, sem noção, e ligeiramente assustador — às vezes tudo na mesma conversa. A chantagem que coloca Coop sob seu controle muda a dinâmica da série: sai um pouco o “ladrão de condomínio” e entra uma disputa entre dois homens ricos tentando descobrir quem consegue controlar melhor o outro.

Essa mudança abre espaço para os coadjuvantes. Barney, vivido pelo ótimo Hoon Lee, talvez seja quem mais aproveite. Sua entrada desastrada no empreendimento criminoso de Coop e os problemas com Grace e a família dela rendem momentos genuinamente engraçados e humanos. Mas nem tudo funciona. O arco de Mel sobre menopausa e envelhecimento começa interessante, mas o roteiro insiste demais em transformar suas angústias em uma variação de “minha vida está incompleta porque não tenho um homem”. Para uma personagem que poderia discutir identidade, maternidade, idade e liberdade, é uma redução frustrante.

No conjunto, porém, a mudança funciona. Seus Amigos e Vizinhos entendeu que sua premissa tinha prazo de validade e começou a transformá-la numa série sobre pessoas ricas, infelizes e extremamente talentosas – e boa parte delas, criminosas – em piorar a própria vida.

E, felizmente, isso parece ter muito mais temporadas disponíveis do que casas para Coop roubar.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

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